Anos atrás me lembro perfeitamente de admirar as fotos do meu namorado pensando que nunca iria tirar fotos tão lindas como ele. Não sei exatamente porque tive este pensamento, talvez por considerá-lo com grande talento estético ou mesmo por pura admiração de uma garota apaixonada.
Anos mais tarde comecei a fazer um curso de fotografia. Na época estava na minha crise de trabalho. E a fotografia se tornou uma grande companheira neste momento difícil.
Nesta fase aprendi as técnicas da fotografia.
Pouco tempo depois, numa outra crise, a do meu divórcio, comecei um outro curso de foto. O professor era de uma generosidade incrível. Ele, apesar de ser um grande e famoso artista, conseguia ver a intenção de cada aluno nas suas singelas (ou não) fotos. A sensação que tinha é que ele tinha um olhar amoroso com seus alunos e assim sentíamos seguros para experimentar várias técnicas e estilos diferentes.
Nesta fase aprendi a explorar a fotografia.
Neste ano, na minha crise dos 35 anos, quando percebi que alguns sonhos daquela garota apaixonada, talvez não aconteçam como esperava. Comecei um curso artístico de fotografia. Para meu espanto, que sempre recebi dezenas de elogios deste meu suposto talento, descobri que não fotografava de forma especial. A análise do meu professor, muito critico, foi de que eu deveria explorar outros caminhos. Ele em 5 minutos descartou 10 anos de fotografia.
Nesta fase chorei a morte de um sonho.
A morte e o luto são fases muito difíceis, porém temos que passar por eles para crescer, mudar e claro, melhorar. Mas ele tem seu tempo e precisamos respeita-lo. Depois de muito chorar, consegui ouvir o conselho deste professor e busquei um novo caminho. Tive medo, insegurança e vontade de desistir. A cada semana mostrava novas fotos, algumas aprovadas pelo crivo exigente deste professor outras rapidamente descartadas, em segundos, às vezes. Sentia felicidade e frustação, dependendo do dia.
Nesta fase enfrentei meu medo.
Ontem terminou este curso, coloquei todas as fotos na mesa. O professor olhou minhas fotos e sorriu. Disse o quanto estava feliz da minha evolução. Olhei de volta para minhas fotos e vi uma nova história, vi uma outra Git fotografando. Uma Git com verdade.
Nesta fase vi uma possibilidade.