segunda-feira, 21 de junho de 2010

Espelhos

Sexta feira passada acabou oficialmente meu trabalho em NY. Tivemos um jantar formal (como sempre as coisas na minha empresa sao bem estruturadas). Mas na verdade o fechamento desta experiência aqui, aconteceu horas depois deste sofisticado evento.


Foi numa mesa de bar 4 horas depois bebendo vinho branco com batata frita e batendo papo com uma amiga venezuelana. Foi uma conversa digna de boas amigas, com direito a fofocas, risadas e comentários francos e sinceros, aqueles difíceis de falar olho no olho. Acho que este tipo de franqueza que define bons amigos.


Considero este o grande desfecho da viagem, pois minha primeira reação ao conhece-la, 6 semanas antes, foi de rejeição. Nao gostei dela de cara. Ache-a arrogante, prepotente e mandona. E o pior sem um motivo muito claro deste sentimento.


Graças aos tropeços que levei na vida (separação, brigas etc) fiz muitas terapias e tive muitos feedbacks construtivos, que fizeram eu entender um pouco mais da vida, dos outros e mais importante aprendi a me conhecer melhor.


Uma das teorias terapêuticas que eu aprendi, e' que quando nao gostamos de alguém, sem qualquer explicação eh porque esta pessoa tem características que você tem, e que nao gosta. O nome desta teoria chama-se espelho.


De fato ela era meu espelho. Todas estas características que rejeitava eu também tinha. Hoje sei hoje que as tinha para me defender. Sou uma pessoa extremamente sensível e foi desta fora que aprendi a me defender : agredindo e me afastando. Esta minha nova amiga nao era apenas o espelho, ela era na verdade muito parecida comigo, nos meus gloriosos 25 aninhos (by the way idade dela).


Quando ultrapassei esta barreira e realmente a conheci, descobri uma menina doce, forte e muito sensível. Passei a vê-la como minha versão mais nova. Queria ajuda-la, aconselha-la, queria ensinar a viver a vida melhor. Queria que ela nao sofresse como eu.


E foi neste final de noite que finalmente conseguimos ter esta troca, nao me lembro se ela pediu conselhos ou se falei espontaneamente, nao importa. Pude falar da minha experiência, do que aprendi e aconselha-la.


Acabamos a noite com um abraço caloroso no elevador, uma alegria franca de termos nos conhecido. Quando ela se foi e olhei no espelho, me vi sorrindo.