terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Destinos

Posso dizer que nada do que imaginava aconteceu em 2010, melhor dizer que muito do que aconteceu em 2010 eu não imaginava. Não que tenha sido um ano ruim, na verdade a sensação é quase oposta, mas de alguma forma foram tantos acontecimentos inesperados que não consigo classificar 2010.

Definitivamente este foi um ano de viagens, literalmente. Visitei as mais belas praias do Brasil, morei por um tempo no centro do universo (NY) e ainda dei uma passadinha no velho mundo. Sim, só neste ano.

Claro que todas estas viagens me proporcionaram experiências diferentes, pude mergulhar nas profundezas no incrível mar de Fernando de Noronha, voei de paraglider na belíssima praia de Pipa, jantei com novos amigos latinos num dos restaurantes mais badalados de NY e ainda assisti a um jogo de tênis da ATP em Londres com uns amigos. Sim, aprendi a saborear o que a vida me oferece.

Mas 2010 não foi um ano só de alegrias, tive uma baita crise dos 35 onde me vi pegando o trem do trabalho e da independência enquanto todas minhas amigas embarcavam em destinos bem diferentes: casamento e maternidade. Deu pânico ver minha melhor amiga zarpando para a Ásia recém casada com um bebe na barriga e um sorriso no rosto e eu sendo promovida, ganhando carro e poder mas com uma sensação de vazio. Tive a impressão de que estava com o bilhete de embarque errado.

Nunca fui uma pessoa de grandes ambições, lembro o estranhamento de ver amigos se vangloriando com promoções e viagens sensacionais. Para mim como estes acontecimentos são raros (não temos promoção e férias toda semana) fica difícil ser feliz somente 30 dias no ano. Prefiro a alegria das coisas singelas do dia a dia, como um dia ensolarado, uma boa música no rádio e um abraço gostoso de um amigo.

Por isso o destino mais bacana deste ano, foi visitar minha cidade natal, estou ha uma semana sendo filha, irmã, tia e madrinha em tempo integral. Tinha me esquecido de como é gostoso estar disponível para ajudar uma irmã a resolver pequenas coisas do dia a dia, palpitar no almoço da minha mãe ou simplesmente fazer meu sobrinho adormecer no meu colo. Uma bela forma de começar 2011.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Dezembros


Sempre achei Dezembro um mês inútil, para mim a única função nestes 30 dias é comprar presentes, happy hour com amigos e esperar o momento de encontrar minha família. Se sobrar tempo faço uma reflexão de como foi o ano, se der tempo.


Dezembro para mim era somente uma passagem para um novo ano.


Não sei exatamente por estava conversando com meu terapeuta sobre este assunto e ele pareceu meio intrigado com esta afirmação. Na opinião dele, Dezembro é um mês como os outros, composto de 30 dias. E para a função dele, um mês mais agitado do que o comum. A galera entra meio em crise neste período com a sensação de que falta muito para fazer antes do ano acabar.


Para alguns Dezembro é a ultima chance.


Outro amigo arquiteto, diz que a percepção é de que o mundo acaba em Dezembro, todos querem que tudo esteja pronto, como se Janeiro realmente não fosse existir. As obras necessariamente tem que estar concluídas para a tranqüilidade do dono.


Para outros Dezembro é o que resta.


alguns anos comecei a olhar para Dezembro de uma forma diferente, uma amiga me convidou para um show de uma banda argentina de tango eletrônico que adorava, mas nunca tinha pensado em ir. Os ingressos estavam quase esgotados, os lugares horríveis e separados, mas mesmo assim fomos. Para minha surpresa o show foi incrível absolutamente estonteante, a musica, os músicos, a dança, iluminação. Definitivamente o melhor show do ano, assim, de surpresa, de ultima hora e em Dezembro!


Dezembro passou a existir.


Tenho vivido um Dezembro diferente, tomei grandes decisões como a mudança de um lar, parar terapia, e enfrentar meus medos profissionais. Também neste Dezembro atípico o destino me apresentou uma doce possibilidade e também uma grande e amarga decepção.


Dezembro agora parece um ano inteiro.



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A morte de um sonho

Anos atrás me lembro perfeitamente de admirar as fotos do meu namorado pensando que nunca iria tirar fotos tão lindas como ele. Não sei exatamente porque tive este pensamento, talvez por considerá-lo com grande talento estético ou mesmo por pura admiração de uma garota apaixonada.

Anos mais tarde comecei a fazer um curso de fotografia. Na época estava na minha crise de trabalho. E a fotografia se tornou uma grande companheira neste momento difícil.

Nesta fase aprendi as técnicas da fotografia.

Pouco tempo depois, numa outra crise, a do meu divórcio, comecei um outro curso de foto. O professor era de uma generosidade incrível. Ele, apesar de ser um grande e famoso artista, conseguia ver a intenção de cada aluno nas suas singelas (ou não) fotos. A sensação que tinha é que ele tinha um olhar amoroso com seus alunos e assim sentíamos seguros para experimentar várias técnicas e estilos diferentes.

Nesta fase aprendi a explorar a fotografia.

Neste ano, na minha crise dos 35 anos, quando percebi que alguns sonhos daquela garota apaixonada, talvez não aconteçam como esperava. Comecei um curso artístico de fotografia. Para meu espanto, que sempre recebi dezenas de elogios deste meu suposto talento, descobri que não fotografava de forma especial. A análise do meu professor, muito critico, foi de que eu deveria explorar outros caminhos. Ele em 5 minutos descartou 10 anos de fotografia.

Nesta fase chorei a morte de um sonho.

A morte e o luto são fases muito difíceis, porém temos que passar por eles para crescer, mudar e claro, melhorar. Mas ele tem seu tempo e precisamos respeita-lo. Depois de muito chorar, consegui ouvir o conselho deste professor e busquei um novo caminho. Tive medo, insegurança e vontade de desistir. A cada semana mostrava novas fotos, algumas aprovadas pelo crivo exigente deste professor outras rapidamente descartadas, em segundos, às vezes. Sentia felicidade e frustação, dependendo do dia.

Nesta fase enfrentei meu medo.

Ontem terminou este curso, coloquei todas as fotos na mesa. O professor olhou minhas fotos e sorriu. Disse o quanto estava feliz da minha evolução. Olhei de volta para minhas fotos e vi uma nova história, vi uma outra Git fotografando. Uma Git com verdade.

Nesta fase vi uma possibilidade.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Entre deusas e heroinas

Semana passada estava almoçando com uma colega de trabalho e me deparei com uma situação atípica. Estávamos jogando papo fora quando ela mencionou que queria ser igual "a ele" . Logo imaginei que se tratava de algum diretor ou vice presidente da empresa onde trabalhamos. Sendo ela uma pessoa inteligente, competente e dedicada, este seria um desejo razoável. Para minha surpresa quando virei para certificar a figura do sua aspiração, fiquei surpresa. Se tratava de um funcionário que calmamente limpava os vidros do escritório. Rimos, pois sabíamos do que se tratava.

Calmamente e' a palavra chave do desejo desta mulher. De fato, a vida que levamos numa empresa multinacional, não nos deixa ter calma. A sensação e' de pressão e ansiedade o tempo todo. Calma não eh um estado muito explorado neste ambiente de trabalho. De fato aprendemos que para ter sucesso num ambiente de empresa temos que seguir o modelo masculino: agil, tenso e certeiro. O problema e' que esta forma de trabalhar não e' natural para mulheres , ele faz com que cada vez mais nos afastemos de nossa natureza.

Para equilibrar esta situacão vejo que muitas mulheres procuram resgatar a energia feminina. Tenho uma grande amiga que faz ha algum tempo um curso de deusas, confesso que no comeco achei a ideia estranha, sendo uma amante de qualquer desenvolvimento pessoal, esperei. E de fato minha querida amiga se tornou uma pessoa muito feminina e envolvente. Uma deusa como ela se auto entitula.

Mas não acho que so o trabalho e' toda a fonte desta inquietacão. Na verdade para nos, mulheres, a dificuldade e' ter muitos papeis e levar todos a serio. E e' o segundo ponto que realmente nos dificulta. Não conseguimos abrir mão de nenhum deles para ter um conforto pessoal. Exigimos muito de nos mesmas: profissional de sucesso, amiga fiel, filha dedicada, mulher moderna, madrinha perfeita e por ai vai.... não da tempo!!!!!

Ai que entra o papel da heroina. A heriona deste mundo moderno eh a antitese do heroi masculino. Enquanto super homem consegue fazer tudo de forma espendida, minha heriona nao consegue fazer tudo, muito menos perfeito, mas ela tem um sorriso no rosto daqueles de pessoas quem amam e sao amadas, que tem sonhos e decepcoes, que sabem que ao final de tudo o que conta e' ser feliz, o que conta e' saber viver.







Escolhas

Ontem como sempre faço nos domingos fui comprar flores para minha casa. É uma rotina de adquiri com os anos: cuido com carinho de mim, da minha casa e de quem me rodeia. Este hábito é tão comum que o pessoal da banca de flores me conhece pelo nome e sorri quando chego.

Apesar das atividades que floreiam minha vida, ando meio reclamona, Me queixo de tudo e todos, não tenho sido muito feliz assim. E sei o que me deixa assim, faz um tempo que tenho tido muito trabalho e pouco amor. Outra amiga minha que também anda reclamona, mas no caso dela o que falta é trabalho. O que nos faz ser assim?

A primeira resposta que penso é equilíbrio, quando uma das partes de nossa vida sofre (seja por excesso ou falta) não ficamos bem. Mas esta resposta não me parece suficiente, conheço tantas outras pessoas que também não tem uma vida balanceada mas tem um sorriso no rosto e uma alegria no olhar.

Acho que o segredo está nas escolhas, somos o que escolhemos ser. É difícil aceitar, mas o que vivemos hoje é resultado de todas as escolhas que fizemos. Trabalho muito porque optei trabalhar na empresa onde estou. Poderia mudar de empresa ou carreira. Meus amigos são pessoas que cativei e aceitei na minha vida. Meu corpo é resultado do que como e como vivo. Resumindo escolhi a vida que tenho mas não só isso também escolhi a forma que enxergo o mundo e aí está o grande segredo.

Se eu olhar para minha vida com carinho, percebo o quanto sou feliz. Tenho uma vida repleta de pessoas que amo, um trabalho que me desenvolve, hobbies que me completam e sonhos que me inspiram. A escolha é só minha.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Janelas e Bicicletas

Acho gostosa a sensacao que tenho toda vez que estou embarcando nas minhas ferias. Parece que minha alma sorri.

Viajar sozinha por muito tempo me pareceu um ato desesperado de conhecer o mundo. Hoje vejo com olhos mais carinhosos e compreensivos para esta jornada. Esta condicao de viajante me
torna mais obsercadora e aberta.

Acabo de desembarcar em Amsterdam para uma rapida e solitaria passagem. E o que vejo? Janelas e bicicletas, e de novo minha alma sorri.

Aqui as bicicletas sao a maioria, tem de tudo, com variacoes de cores e estilos. Zanzam pela cidade toda. Eles tem um poder forte sobre mim, remetem a minha infancia, passei parte dela perambulando com minha cecizinha pra la e pra ca com plena liberdade. Aqui impossivel nao nota-las.

As amplas janelas tambem me chamam a atencao. Atraves delas vejo muito; estilos e intimidade. A maoria florida e delicada; vejo criancas brincando, familias preparando o almoco e um casal de velhinhos sorrindo. A transparencia vitria me faz ver a essencia, a verdade de cada um.

Janelas e biciletas.

Liberdade e verdade.

Um belo comeco de viagem.

domingo, 19 de setembro de 2010

Numeros

Eu nao acredito em numeros.

Para mim a cifra que se tem no banco,
a idade no RG
ou com quantos anos se diz eu te amo,
nao signifcam nada.

Para mim numeros nao qualificam pessoas,
muito menos sentimentos.

Ter milhares de reais no banco, significa que voce e rico
nao necessariamente feliz.

Ter 30 anos no RG mostra quantos anos voce viveu
nao, se voce esta no caminho certo.

Dizer eu te amo com 3 meses, casa comigo com 4
para muitos pode parecer ansiedade
para quem esta de perto, a certeza de um grande amor.

O que importa mesmo
saos os sonhos que a gente tem
a risada facil no dia a dia
e se a gente ama, de verdade.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A tal da grama

Semanas atrás estava jantando com uma amiga, colocando o papo em dia. Tínhamos nos encontrado a semana toda num curso , mas não tivemos tempo para realmente conversar. Eh engraçado como podemos encontrar pessoas e não ter qualquer tipo de troca. Não era o caso desta amiga.


Na verdade foi uma conversa bem sincera, de boas amigas. Ela estava se queixando da dificuldade de engravidar. O sonho de ser mãe, estava se tornando numa corrida exaustiva de médicos, exames e hormônios.


Outra amiga queixava-se do namorado que não havia se tornado um homem ideal.


Minha prima apareceu com olheiras monstruosas, não dormia dias por causa da cólica do bebe.


Meu vizinho anda estressado com as contas para pagar.


Minha chefe assustada com a montanha de trabalho para entregar.


E eu fico pensando na grama.


Onde foram parar as gramas verdes?


Acho que andamos tão atarefados e exigentes que esquecemos de rega-las.


Esquecemos de regar nossa vida com a alegria simples e contagiante do dia a dia.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Espelhos

Sexta feira passada acabou oficialmente meu trabalho em NY. Tivemos um jantar formal (como sempre as coisas na minha empresa sao bem estruturadas). Mas na verdade o fechamento desta experiência aqui, aconteceu horas depois deste sofisticado evento.


Foi numa mesa de bar 4 horas depois bebendo vinho branco com batata frita e batendo papo com uma amiga venezuelana. Foi uma conversa digna de boas amigas, com direito a fofocas, risadas e comentários francos e sinceros, aqueles difíceis de falar olho no olho. Acho que este tipo de franqueza que define bons amigos.


Considero este o grande desfecho da viagem, pois minha primeira reação ao conhece-la, 6 semanas antes, foi de rejeição. Nao gostei dela de cara. Ache-a arrogante, prepotente e mandona. E o pior sem um motivo muito claro deste sentimento.


Graças aos tropeços que levei na vida (separação, brigas etc) fiz muitas terapias e tive muitos feedbacks construtivos, que fizeram eu entender um pouco mais da vida, dos outros e mais importante aprendi a me conhecer melhor.


Uma das teorias terapêuticas que eu aprendi, e' que quando nao gostamos de alguém, sem qualquer explicação eh porque esta pessoa tem características que você tem, e que nao gosta. O nome desta teoria chama-se espelho.


De fato ela era meu espelho. Todas estas características que rejeitava eu também tinha. Hoje sei hoje que as tinha para me defender. Sou uma pessoa extremamente sensível e foi desta fora que aprendi a me defender : agredindo e me afastando. Esta minha nova amiga nao era apenas o espelho, ela era na verdade muito parecida comigo, nos meus gloriosos 25 aninhos (by the way idade dela).


Quando ultrapassei esta barreira e realmente a conheci, descobri uma menina doce, forte e muito sensível. Passei a vê-la como minha versão mais nova. Queria ajuda-la, aconselha-la, queria ensinar a viver a vida melhor. Queria que ela nao sofresse como eu.


E foi neste final de noite que finalmente conseguimos ter esta troca, nao me lembro se ela pediu conselhos ou se falei espontaneamente, nao importa. Pude falar da minha experiência, do que aprendi e aconselha-la.


Acabamos a noite com um abraço caloroso no elevador, uma alegria franca de termos nos conhecido. Quando ela se foi e olhei no espelho, me vi sorrindo.